Durante o verão, Tiago Pedrosa juntou-se à equipa de Design & Development da Exatronic com um objetivo muito concreto: transformar a curiosidade que já tinha por firmware numa experiência prática.
Mais do que aprender conceitos, queria perceber o que acontece quando a teoria sai da sala de aula e passa para um contexto real de engenharia: trabalhar diretamente com hardware, testar abordagens, resolver problemas e ver aquilo que desenvolvemos começar, efetivamente, a funcionar.
Havia também uma questão pessoal por responder: seria firmware apenas uma área que lhe despertava curiosidade ou algo que poderia querer seguir no futuro?
Falámos com o Tiago sobre os desafios que encontrou, aquilo que aprendeu e o que significa, na prática, dar vida ao hardware através de firmware.
O que te levou a procurar uma experiência na Exatronic durante o verão e, em particular, a querer explorar a área de firmware?
Ao longo do meu percurso académico, senti que havia uma grande componente teórica e que me faltava a oportunidade de pegar nesses conhecimentos e perceber como funcionavam perante um desafio real.
Fui fazendo projetos pessoais, mas queria ir mais longe. Queria trabalhar num contexto profissional, onde aquilo que desenvolvemos tem um propósito concreto e onde os problemas nem sempre aparecem já com uma solução definida.
Firmware já era uma área que me despertava muita curiosidade. Vim para esta experiência precisamente para a testar na prática e perceber se era algo que queria levar mais a sério no meu percurso.
Quando chegaste à equipa de Design & Development, por onde começaste?
A partir de um projeto concreto, comecei por pensar na arquitetura e em como os diferentes blocos de hardware deveriam ser organizados para funcionarem de forma coerente entre si.
Percebi rapidamente que, antes de começar a programar, era preciso compreender muito bem aquilo que estava a construir: o papel de cada bloco, a forma como se relacionava com os restantes e como tudo poderia ser integrado mais tarde.
Ter essa visão desde o início deu-me uma base muito mais sólida para avançar. Nas etapas seguintes, já não estava simplesmente a desenvolver partes isoladas — percebia onde cada uma encaixava e porquê.
Uma parte do teu trabalho passou por “dar vida” a esses blocos de hardware através de firmware. Como explicarias firmware a alguém que não é da área?
Eu compararia firmware ao cérebro de um ser vivo. Podemos ter olhos, pernas ou braços, mas cada uma dessas partes precisa de saber o que fazer, quando fazê-lo e como trabalhar em conjunto com as restantes.
No hardware acontece algo semelhante. Primeiro é preciso perceber como cada componente funciona. Depois, através do firmware, criamos a lógica que lhe permite executar aquilo para que foi pensado e comunicar com os outros componentes.
É essa parte que acho particularmente interessante: pegar em hardware que, isoladamente, é apenas um conjunto de componentes e fazê-lo começar a responder, comunicar e funcionar como um sistema.
Qual foi o desafio técnico que mais te fez aprender durante esta experiência?
Um dos desafios que mais me fez pensar foi a implementação de um leitor RFID. Existem várias opções no mercado e, apesar de poderem parecer semelhantes à primeira vista, cada uma tem características e formas de funcionamento diferentes. Tive de explorar essas alternativas, perceber essas diferenças e encontrar a abordagem mais adequada.
Mas o momento mais marcante surgiu quando consegui ter vários módulos a funcionar em simultâneo e, sobretudo, a interagir uns com os outros. Até aí, estava muito focado em fazer cada parte funcionar individualmente. Quando vi tudo a comunicar pela primeira vez, comecei realmente a ver o sistema como um todo.
Foi provavelmente o momento em que pensei: agora sim isto está mesmo a ganhar vida.
Como foi estar integrado numa equipa de engenharia e poder discutir dúvidas e testar diferentes abordagens?
Fez uma diferença enorme. Quando estamos a aprender sozinhos, podemos passar muito tempo presos a um problema sem saber sequer se estamos a seguir a melhor direção. Aqui, sempre que surgia uma dúvida, tinha pessoas à minha volta que muitas vezes já tinham enfrentado problemas semelhantes e que me conseguiam orientar.
Não significava receber simplesmente a solução. Muitas vezes era perceber onde procurar, que hipótese fazia mais sentido testar ou olhar para o problema de outra forma.
Trabalhar diariamente com pessoas com mais experiência, que gostam genuinamente daquilo que fazem e têm conhecimento para partilhar, tornou a aprendizagem muito mais rica.
Chegaste à Exatronic com algumas dúvidas sobre se firmware poderia ser uma área para o teu futuro. E agora?
Essa era provavelmente a maior pergunta que queria responder quando comecei.
Tinha interesse por firmware, mas ainda não sabia se vinha sobretudo da curiosidade e da falta de experiência prática ou se era realmente uma área onde me conseguia imaginar a trabalhar.
Hoje tenho uma resposta muito mais clara.
Percebi que gosto do processo: investigar, testar, perceber porque é que alguma coisa não funciona, corrigir e chegar finalmente ao momento em que funciona. Quero continuar a explorar firmware, levar parte desta aprendizagem para o meu projeto de licenciatura e, quando terminar o curso, é definitivamente uma das áreas que quero considerar no início do meu percurso profissional.
Nem todas as primeiras experiências profissionais servem para confirmar um caminho. Algumas servem precisamente para o testar.
Tiago chegou à Exatronic com curiosidade, vontade de pôr a teoria à prova e uma pergunta sobre aquilo que poderia querer fazer no futuro. Durante o verão, teve espaço para experimentar, falhar, ajustar, perguntar e ver aquilo que desenvolvia começar a funcionar.
No final, levou mais do que novas competências técnicas. Levou uma direção. E talvez esse seja um dos resultados mais valiosos de uma experiência como esta: não apenas aprender como se faz, mas descobrir aquilo que queremos continuar a fazer.